O artista que ganhou notoriedade nacional pela participação no reality show Estrela da Casa,
da TV Globo, apresenta composições que refletem seu mundo íntimo
O artista que ganhou notoriedade nacional pela participação no reality show Estrela da Casa,
da TV Globo, apresenta composições que refletem seu mundo íntimo

Matheus Torres por Matheus L Herbele
“Grande parte do que eu crio nasce de um olhar mais existencialista da maneira como percebo o mundo ao meu redor”, conta Matheus Torres sobre o ponto de partida das composições que integram seu primeiro álbum, “Tanta Pressa”, que chega agora pela Universal Music Brasil. O trabalho dá continuidade à discografia iniciada em 2023 de forma independente com o EP “Pode Ser”, seguido pelo EP “Cadê Você”, este já como artista da Universal Music Brasil.
Conhecido por sua participação no reality show Estrela da Casa, da TV Globo, o mineiro reuniu nove faixas que passam por temas como pertencimento, amor, despedidas, perdas, expectativas, frustrações e idealizações. “Esses dois campos, o existencial e o afetivo, convivem no disco e ajudam a construir a identidade emocional da obra”, comenta.
Uma inquietação central atravessa o trabalho: a sensação de deslocamento e a dúvida persistente sobre a possibilidade de pertencer plenamente a algum lugar. Esse sentimento aparece em diferentes momentos do álbum e dialoga com pessoas que também experimentam essa espécie de desencontro com o mundo.
Musicalmente, o álbum se organiza em duas atmosferas que se complementam. Na primeira parte, as faixas se aproximam de uma linguagem pop, com estruturas mais diretas. Aos poucos, o trabalho se desloca para um território mais cru, revelando uma dimensão mais íntima do artista. É nessa transição que surgem composições com outra densidade, algumas delas escritas há cerca de dez anos e que se apresentam como registros de um momento anterior de trajetória do artista, preservando um caráter mais pessoal.
Em contraponto, mais da metade das músicas foi composta em meados do ano passado, a partir de um processo que começou de forma caseira, com o artista desenvolvendo as primeiras ideias e a pré-produção em casa. Esse período de maturação seguiu até a entrada em estúdio, em outubro, com as canções já bem estruturadas.
A produção musical do álbum é assinada por Matheus Torres e Juliano Cortuah – que é responsável também pela engenharia de mixagem –, e a masterização foi feita por Felipe Tichauer, do Red Traxx Mastering em Miami. Tanta Pressa foi gravado e mixado no Estúdio NAVE 33 no Rio de Janeiro, entre outubro de 2025 e fevereiro deste ano.

A identidade visual do álbum nasce de um lugar íntimo e busca traduzir, em imagens, as diferentes camadas emocionais que atravessam o disco. Para isso, foram utilizados recortes visuais, projeções e sobreposições, criando uma sensação de imersão. “É como se o espectador, em certa medida, estivesse dentro da minha cabeça, observando o mundo a partir da forma como eu o percebo”, conta Matheus.
Uma das principais referências foi “Inside”, de Bo Burnham, especialmente pela forma como transforma interioridade em linguagem visual. “Apostar nesse intimismo foi uma forma de revelar ao público um pouco de como esse álbum é visto por quem o criou.”
Faixa a faixa por Matheus Torres
“Tanta Pressa” é uma música que traz uma energia mais elevada, para cima, mas que parte de uma inquietação existencial. Ela fala sobre a busca por um lugar no mundo, sobre a tentativa de pertencer e de seguir em frente mesmo diante dos obstáculos e das dificuldades que surgem no caminho. Sonoramente, tem uma atmosfera indie pop.
“Não É o Fim” mergulha em uma temática mais afetiva e relacional. Fala sobre o encerramento de uma relação, mas a partir da perspectiva de alguém que ainda se agarra à possibilidade de continuidade. A sonoridade está mais próxima do indie rock, com andamento um pouco mais lento, clima melancólico e bastante potência emocional.
“Sonho de Papel”, a faixa foco do álbum, fala sobre expectativa, projeção e fantasia — sobre a maneira como, muitas vezes, construímos nas outras pessoas uma imagem idealizada daquilo que queremos encontrar. A faixa aborda isso de maneira delicada, romântica e quase lúdica. É uma música construída apenas em voz e violão, e justamente por essa simplicidade ganha uma força muito especial.
“Pra Fazer Saber” também parte de uma temática relacional, mas com uma energia mais alta e pulsante. A batida conversa com “Tanta Pressa” e carrega uma força rítmica que sustenta bem essa tensão emocional. Ao mesmo tempo, é uma música atravessada por vulnerabilidade: há um olhar, a partir de uma certa distância no tempo, para o fim de um relacionamento e para tudo aquilo que fica reverberando depois dele. Fala sobre insegurança, fragilidade e luto afetivo.
“Se Você Soubesse” é uma música muito delicada, com uma atmosfera leve, quase de canção de ninar. Fala sobre alguém que faz bem, que ilumina até os dias mais difíceis. Embora possa ser entendida dentro de um campo romântico, a força da música está justamente em poder atravessar diferentes formas de afeto. Pode falar de um amor romântico, mas também de um filho, de uma criança, de um cachorro, de um familiar ou de qualquer presença que traga aconchego, luz e sentido.
“Ponteiros” é talvez a faixa que mais me representa como pessoa — nos meus conflitos, nas minhas inquietações e nas perguntas que me acompanham desde sempre. A música parte de uma questão muito simples, quase infantil, mas que carrega uma profundidade enorme: “mamãe, se eu arrancasse os ponteiros, o tempo pararia?”. É o tipo de pergunta que uma criança poderia fazer, mas que, de algum modo, continua ecoando na vida adulta.
“Amantes” é a única música do disco que eu não assino como autor. Foi escrita por um grande amigo, Maurílio, e desde a primeira vez que ouvi, senti que me representava de alguma maneira. Sonoramente, é uma faixa que leva o disco para um território mais setentista, com uma atmosfera mais rock and roll e uma instrumentação que reforça esse caráter: guitarras, órgãos, pianos elétricos, Wurlitzer, Fender Rhodes. Em termos de tema, toca em algo muito humano: as durezas da vida, as marcas que ela vai deixando e a forma como isso atravessa o cotidiano.
“Saudade” é uma música profundamente ligada a Minas Gerais. Ela nasceu de um momento em que eu estava muito tomado por esse sentimento. A música passa por memórias muito concretas e afetivas: os corredores dos colégios da infância, o cheiro dos fins de tarde de verão em Minas, a casa da minha bisavó cheia de netos e bisnetos nas férias. E também fala de algo que vai além da lembrança objetiva. Porque, muitas vezes, a saudade não está apenas em algo que existiu de fato, mas também em instantes que continuam vivos dentro da nossa cabeça.
“A Mil” encerra o disco e ocupa um lugar muito importante dentro da narrativa da obra. Eu queria muito que o álbum terminasse num ponto mais cru, mais despido, e por isso ela aparece como uma gravação caseira, registrada no celular e tratada apenas o suficiente para manter a coerência com o restante do disco. De certa forma, “A Mil” funciona como um espelho invertido de “Tanta Pressa”, que abre o álbum. Se “Tanta Pressa” nasce de um lugar de movimento, impulso e enfrentamento das adversidades, “A Mil” trata sobre essas mesmas dificuldades a partir de um estado de esgotamento, vulnerabilidade e queda.
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MATERIAL DE DIVULGAÇÃO AQUI
FICHA TÉCNICA
Editora: Universal Music Publishing
Engenharia de Gravação: Juliano Cortuah & Matheus Torres
Engenharia de Mixagem: Juliano Cortuah
Engenharia de Masterização: Felipe Tichauer, Red Traxx Mastering
Produção Musical: Juliano Cortuah e Matheus Torres
Produção Executiva: Andre Maia, Paulo Monte & Matheus Torres
Gravado e mixado no Estúdio NAVE 33 no Rio de Janeiro, RJ
1) TANTA PRESSA
Autor: Matheus Torres
Voz & Backing Vocals: Matheus Torres
Violão e Guitarras: Matheus Torres
Baixo: Enielse Weligton Oliveira
Bateria: Wesley Castro
Teclados e Sintetizadores: Pedro Malcher
2) NÃO É O FIM
Autor: Matheus Torres
Voz: Matheus Torres
Violão e Guitarras: Matheus Torres
Baixo: Enielse Weligton Oliveira
Bateria: Wesley Castro
Teclados e Sintetizadores: Pedro Malcher & Matheus Torres
3) SONHO DE PAPEL
Autor: Matheus Torres
Voz e Violões: Matheus Torres
4) PRA FAZER SABER
Autor: Matheus Torres
Voz & Backing Vocals: Matheus Torres
Violão e Guitarras: Matheus Torres
Baixo: Matheus Torres Bateria: Wesley Castro
Teclados e Sintetizadores: Pedro Malcher
5) SE VOCÊ SOUBESSE
Autor: Matheus Torres
Voz: Matheus Torres
Violão e Guitarras: Matheus Torres
Baixo: Enielse Weligton Oliveira
Bateria: Wesley Castro
Teclados e Sintetizadores: Pedro Malcher
6) PONTEIROS
Autor: Matheus Torres
Voz: Matheus Torres
Violão e Guitarras: Matheus Torres
Guitarra Slide: Yuri Barbosa
Baixo: Enielse Weligton Oliveira
Bateria: Wesley Castro
Hammond e Rhodes: Felipe Magon
7) AMANTES
Autor: Maurilio (autor direto) Voz: Matheus Torres
Violão e Guitarras: Matheus Torres
Baixo: Enielse Weligton Oliveira
Bateria: Wesley Castro
Hammond, Wurlitzer & Piano: Felipe Magon
8) SAUDADE
Autor: Matheus Torres
Voz: Matheus Torres
Guitarras: Matheus Torres
Baixo: Enielse Weligton Oliveira
Bateria: Wesley Castro
Teclados e Sintetizadores: Felipe Magon & Matheus Torres
9) A MIL
Autor: Matheus Torres
Voz: Matheus Torres
Violão: Matheus Torres
LINKS: Instagram / Spotify / YouTube
SOBRE MATHEUS TORRES
Matheus Torres é um cantor, compositor e escritor mineiro de 33 anos. Sua obra transita entre a música e a literatura. Na música, participou do The Voice, em 2021, e apresentou seu primeiro trabalho autoral em 2023, com o EP “Pode Ser”. Após sua participação na primeira temporada do reality show Estrela da Casa, da TV Globo, em 2024, fechou um contrato com a Universal Music Brasil e lançou, em 2025, o EP “Cadê Você”. Agora, lança seu disco de estreia, “Tanta Pressa”.
Seu trabalho passa por temas como tempo, memória, amor, saudade e pertencimento. Essa mesma visão atravessa tanto sua produção musical quanto sua escrita, consolidando uma assinatura autoral atenta às nuances da experiência humana.
Na literatura, é autor de “Nuvens Passam Rápido”, uma coletânea de poemas que funciona como um diário íntimo que carrega devaneios e confissões, com a mesma delicadeza que marca suas músicas.