Universal Music Brasil e VideoFilmes lançam a aguardada trilha sonora do filme “Ainda Estou Aqui” em formato digital e vinil

Aguardadíssima por grande parte dos fãs que se emocionaram nos cinemas e via serviços de streaming, a trilha sonora do filme brasileiro consagrado mundialmente chega agora em formato digital (com 16 faixas) e físico, em vinil (com 15 faixas), em lançamento da Universal Music Brasil e VideoFilmes. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, foi visto por mais de 9 milhões de espectadores pelo mundo, passou por mais de 50 festivais nacionais e internacionais e superou a importante marca de 70 prêmios (confira a lista completa de premiações), incluindo o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama (Fernanda Torres). Mais informações AQUI.

Além dos brilhantes temas especialmente escritos para o filme pelo cultuado músico australiano Warren Ellis, o álbum traz canções populares brasileiras que vão muito além da tradução do espírito de época vivido no país dos anos de chumbo da ditadura militar. Elas ajudaram a fazer com que “Ainda Estou Aqui” ficasse no centro do debate cultural e político. “A música popular brasileira é aquilo que dá sentido quando nada mais parece fazer sentido. Caetano, Erasmo, Gal ou Tom Zé, entre muitos outros, cumprem um papel que transcende a música, são intérpretes essenciais da realidade brasileira. Numa época de exceção, a música é ainda mais vital, é aquilo que ajuda a resistir. Em ‘Ainda Estou Aqui’, a música vetorializa o filme, complexifica a narrativa. É um personagem do filme”, comenta Walter Salles.

O diretor, o montador Affonso Gonçalves e os roteiristas Murilo Hauser e Heitor Lorega se envolveram pessoalmente com a escolha das músicas. Foi a partir da contribuição desse quarteto que a trilha ganhou uma cara original e multifacetada. Assim incorporou o rock tropicalista “Jimmy, Renda-se”, de Tom Zé, a preciosa versão em inglês de “Baby” (Caetano Veloso) registrada pelos Mutantes em Paris, em 1970 — só lançada no álbum “Tecnicolor”, de 2000 —, a delicada e ao mesmo tempo transgressora regravação de “Acauã” (toada de Zé Dantas, sucesso na voz de Luiz Gonzaga) feita por Gal Costa para seu LP “Legal”, de 1970, e a surpreendente “Take Me Back To Piauí”, sucesso semiesquecido de Juca Chaves (1938-2023) que animou bailes de samba-rock no começo dos anos 1970. Escolhida para a seção anos 1990 do longa, “Fora da Ordem” (Caetano Veloso), entra com um comentário preciso sobre a trama.

Incluídas apenas na versão digital estão também o clássico irresistível “A Festa do Santo Reis” (Marcio Leonardo), na voz de Tim Maia; uma segunda gravação de Gal Costa, a versão joãogilbertiana do samba sincopado “Falsa Baiana” (Geraldo Pereira”) que fecha “Legal”, e outra de Caetano, “Um Índio”.

Walter Salles detalha: “O filme é feito de camadas de memórias: as de Marcelo Rubens Paiva, no livro; as que eu tinha da família Paiva durante minha adolescência, permeadas pelas músicas da vitrola que não parava de girar na casa do Leblon…. Foi lá que descobri a Tropicália, que me apaixonei por música. Affonso (Gonçalves, montador), Murilo e Heitor (Murilo Hauser e Heitor Lorega, roteiristas) adicionaram camadas preciosas de memórias às que tínhamos. A mais emblemática foi ‘É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo’, de Erasmo Carlos, que não estaria no filme se não fosse pela sensibilidade afiada do Affonso”.

A gravação de Erasmo Carlos (1941-2022) incluída em seu clássico álbum “Carlos, Erasmo”, de 1971, com as intervenções afiadas da guitarra de Lanny Gordin e a cozinha dos Mutantes (Liminha no baixo e Dinho Leme na bateria), funciona como assinatura sonora e emocional do filme. O corte selecionado na letra diz tudo: “Mas estou envergonhado/ Com as coisas que eu vi/ Mas não vou ficar calado/ No conforto, acomodado/ Como tantos por aí”.

Este álbum chega para cobrir uma lacuna importante: tornar disponíveis nas plataformas digitais os nove temas compostos por Warren Ellis para o filme, muito aguardados pelos fãs do mundo inteiro. Ellis é integrante do cultuado grupo Dirty Three e há mais de três décadas é um dos principais parceiros do cantor Nick Cave, seja tocando com sua banda Bad Seeds, coescrevendo trilhas ou no projeto paralelo Grinderman. Toca violino, piano, acordeão, guitarra, flauta e viola, entre outros instrumentos.

Walter Salles comenta: “Conhecia um pouco Warren graças à amigos comuns, Samantha e Mário Caldato, mas era sobretudo um fã — tanto das suas colaborações com Nick Cave quanto no Dirty Three. Ouço bastante trilhas, e as do Warren me tocam em um lugar especial. São trilhas que não adjetivam as cenas. Dialogam com elas. O trabalho com ele foi um aprendizado e tanto. Warren é multi-instrumentista, tocou praticamente todos os instrumentos da trilha. Na cena do chuveiro, ele foi entendendo a importância de deixar espaços entre as notas, momentos de silêncio. São esses momentos de silêncio, que respeitavam o personagem de Eunice e o espectador, que me pegaram. Warren entendeu que o segredo do filme era a subtração de elementos, e toda a trilha é tomada por essa compreensão. Ele é um craque”.

Muito mais que temas funcionais ou acessórios, que ambientam ou tensionam o filme, quando ouvidas separadamente, as peças compostas por Ellis proporcionam um tour de force à parte. Ele conta que escreveu “Shower”, a música da cena do banho, em circunstâncias caóticas, que resumem um pouco como ele vê sua vida criativa. Estava sentado, em uma sala pequena, e seu filho apareceu com um mandolim que ele não tocava há dez ou quinze anos. Ao seu lado, Walter Salles, recém-desembarcado de um voo, e um engenheiro de som, ruidosamente marcando uma viagem para outro trabalho. “Eu estava tentando me lembrar como se tocava o instrumento. No meio desse caos, eu só queria acertar as notas. E quando olho, Walter estava com lágrimas caindo do seu rosto”, lembrou. No dia seguinte, aquele trecho composto foi descartado, visto apenas como “uma coisa selvagem que acontece no processo”. Depois, tornou-se a faixa “Shower” e virou história. Assim como “Ainda Estou Aqui” e toda a trilha do filme.
Pedro Só
abril de 2026

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É uma satisfação especial apresentar a trilha sonora de ‘Ainda Estou Aqui’, um filme sensível e magistralmente conduzido por Walter Salles, cineasta cuja obra dialoga profundamente com a memória e a identidade brasileiras. Neste trabalho, a música ocupa um lugar central: mais do que ambientar, ela atua como elemento narrativo, ajudando a reconstruir com precisão o espírito de uma época e ampliando a dimensão emocional da história.

A trilha articula, com elegância, temas originais e canções emblemáticas da música popular brasileira, reunindo nomes fundamentais como Caetano Veloso, Gal Costa, Tom Zé e Erasmo Carlos — artistas que ajudaram a moldar o imaginário cultural do país ao longo de décadas. Inseridas no contexto do filme, essas obras não funcionam apenas como referência histórica, mas como camadas expressivas que dialogam diretamente com a narrativa, intensificando sua força e profundidade.

O resultado é uma experiência sonora que não apenas acompanha o filme, mas o expande — conectando passado e presente e reforçando o poder da música como instrumento de memória e emoção”, diz Paulo Lima, presidente da Universal Music Brasil.

Repertório do vinil:

Lado A
1 – É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo (Erasmo Carlos / Roberto Carlos)
2 – Tunnel (Warren Ellis)
3 – Prison (Warren Ellis)
4 – Jimmy Renda-se (Tom Zé / Waldez)
5 – Shower (Warren Ellis)
6 – Dog Funeral (Warren Ellis)
7 – Acauã (Zé Dantas)

Lado B
1 – Take Me Back To Piaui (Juca Chaves)
2 – Letter (Warren Ellis)
3 – Swim (Warren Ellis)
4 – Baby (Caetano Veloso)
5 – Restaurant (Warren Ellis)
6 – Memories (Warren Ellis)
7 – Fora da Ordem (Caetano Veloso)
8 – End Title (Warren Ellis)

Repertório do álbum digital:

1 – É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo (Erasmo Carlos / Roberto Carlos)
2 – Tunnel (Warren Ellis)
3 – Prison (Warren Ellis)
4 – A Festa do Santo Reis (Márcio Leonardo)
5 – Shower (Warren Ellis)
6 – Dog Funeral (Warren Ellis)
7 – Acauã (Zé Dantas)
8 – Falsa Baiana (Geraldo Pereira)
9 – Letter (Warren Ellis)
10 – Swim (Warren Ellis)
11 – Baby (Caetano Veloso)
12 – Restaurant (Warren Ellis)
13 – Memories (Warren Ellis)
14 – Um Índio (Caetano Veloso)
15 – Fora da Ordem (Caetano Veloso)
16 – End Title (Warren Ellis)