Assinada por Luiz Mattos, Mura e Marina Diniz, a faixa traduz um dos maiores clássicos do pop brasileiro para a música eletrônica sem abrir mão da essência da gravação original

Da esquerda para direita: Mura, Marina Diniz e Luiz Mattos – Foto Pedro Arieta (@pedroarieta)
Levar um clássico para outro universo sonoro é sempre um desafio. Fazer isso com uma das canções mais emblemáticas da música brasileira exigiu tempo, sensibilidade e, acima de tudo, respeito pela obra original. Foi esse processo que deu origem a “Me Chama – Remix”, releitura oficial lançada pela Universal Music Brasil, assinada pelos DJs e produtores Luiz Mattos, Mura e Marina Diniz, que chega às plataformas digitais no dia 5 de agosto. A faixa chega depois de quatro anos de desenvolvimento, interrupções e um cuidadoso processo criativo que culminou na aprovação de Marina Lima e na autorização de Lobão, compositor da obra.
O projeto começou em 2021, movido pela admiração que Luiz Mattos e Marina Diniz sempre tiveram pela obra de Marina Lima. Fãs da cantora, os dois deram início ao trabalho quando Marina Diniz convidou Luiz para desenvolver um remix para alguma de suas faixas. Embora “Me Chama” já estivesse entre as possibilidades, a primeira faixa trabalhada foi “Pra Começar”. O projeto acabou sendo interrompido e só voltou à mesa em 2023, quando o trio passou a se dedicar à releitura de “Me Chama”.
“Quando a Marina me convidou para fazer o remix, eu aceitei mas não queria seguir o padrão house comercial que costuma marcar muitos remixes da música brasileira. Quando ‘Me Chama’ surgiu como sugestão, confesso que fiquei reticente. Além de ser um dos maiores sucessos da carreira dela, a música é do Lobão, que sempre foi muito criterioso na liberação de suas obras. Isso aumentava ainda mais a responsabilidade. O desafio era traduzir a canção para uma linguagem eletrônica sem descaracterizar sua essência e, felizmente, quando a Marina ouviu o resultado e o Lobão nos deu carta branca, tivemos a certeza de que estávamos no caminho certo”, detalha Mattos.
Depois de reunir referências e desenvolver uma primeira versão, o projeto voltou a ser pausado. Em 2024, o remix foi finalmente apresentado a Marina Lima, que aprovou a proposta. Na sequência, o trio recebeu o aval de Lobão para seguir em frente com o trabalho. Com essa dupla aprovação, a produção foi acelerada, o remix foi concluído e, então, enviado à Universal Music Brasil, que também aprovou e possibilitou oficializar o lançamento.
Para trabalhar na versão final, Luiz e Marina convidaram Mura, produtor conhecido pela pesquisa em música eletrônica alternativa e pela trajetória na banda Aldo. O trio buscou criar uma releitura que não competisse com o original, mas expandisse suas possibilidades de escuta.
Em seu lugar, entram novas texturas eletrônicas, referências ao house e ao techno underground, uma mixagem que foge dos padrões comerciais e uma masterização analógica assinada por Arthur Joly, na RecoMaster.
“Nos preocupamos em construir uma atmosfera que dialogasse com a música eletrônica underground, sem transformar a faixa em um remix super comercial, como esses que vemos na noite por aí. A intenção nunca foi substituir o original, mas revelar uma nova camada da música”, descreve Mura.
A proposta nunca foi produzir um remix pensado para o momento de maior explosão da pista. Pelo contrário, a equipe preservou integralmente a estrutura da composição, mantendo a métrica da letra, todos os versos e a interpretação de Marina Lima como eixo central da produção.
“Os grandes clássicos permanecem vivos porque conseguem atravessar diferentes épocas. Participar dessa releitura foi encontrar um equilíbrio entre respeito pela obra original e liberdade para imaginar novos caminhos para ela”, comenta Marina Diniz sobre o processo criativo.
O resultado é uma versão que aproxima um clássico da música brasileira da cultura eletrônica contemporânea sem abrir mão da delicadeza, da tensão e da atmosfera que fizeram de “Me Chama” uma das canções mais marcantes da obra de Marina Lima.
“Me Chama” foi lançada em 1984 pela banda Lobão & Os Ronaldos, mas ganhou projeção nacional poucos meses depois ao integrar o álbum “Fullgás”, de Marina Lima. Na gravação, o próprio Lobão assumiu a bateria enquanto Liminha assinou o baixo, ajudando a construir uma sonoridade que se tornaria uma das marcas do pop brasileiro dos anos 1980. Hoje, a faixa soma quase 9 milhões de reproduções apenas no Spotify.
Sobre Luiz Mattos, Mura e Marina Diniz:
Luiz Mattos
DJ, pesquisador e produtor musical, Luiz Mattos construiu uma trajetória que conecta diversos estilos: da música brasileira, passando pela disco e anos 80 até chegar a eletrônica mais underground. Ex-integrante da banda de Lobão e colaborador de artistas como Fabio Góes, atuou também no mercado fonográfico e editorial antes de se consolidar como um dos DJs mais requisitados do segmento de eventos no Brasil.
Mura
DJ e produtor musical há mais de 15 anos, Mura desenvolve um trabalho voltado à música eletrônica de estética alternativa. Foi fundador da banda Aldo, projeto que misturava indie, rock e música eletrônica. Em 2024, ele lançou sua carreira solo sob o nome Heal Mura, ampliando sua pesquisa sonora entre texturas eletrônicas, ambient e música experimental.
Marina Diniz
Com mais de duas décadas de carreira, Marina Diniz é DJ e curadora musical reconhecida pela versatilidade de seus sets e pela ampla pesquisa de repertório. Presença constante em eventos no Brasil e no exterior, desenvolveu uma trajetória marcada pela capacidade de conectar diferentes gerações e estilos musicais, transformando seu olhar refinado sobre pistas de dança em uma de suas principais assinaturas artísticas.
Ficha Técnica – “Me Chama Remix”
Título: Me Chama – Remix
Artista: Marina Lima
Composição: Lobão
Remix e produção: Luiz Mattos, Mura e Marina Diniz
Gravadora: Universal Music Brasil
Mixagem: Luiz Mattos, Mura e Marina Diniz
Masterização: Arthur Joly (RecoMaster)