Em sua primeira mixtape, a cantora e compositora goiana celebra a potência das trocas e da liberdade criativa, apresentando colaborações com grandes nomes da música brasileira, como Gloria Groove, Rael, Slipmami, Luiz Lins e Los Brasileros
DAY LIMNS desbrava um novo universo com “PUT@RIA & POE$IA”, primeira mixtape de sua carreira, que reúne 11 participações ao longo de 10 faixas e transforma encontros entre diferentes artistas em parte fundamental de sua proposta: voltar ao prazer de simplesmente criar e fazer música sem grandes pretensões. “Fui entrando no estúdio, experimentando, chamando artistas com quem eu sempre quis colaborar e deixando as canções nascerem naturalmente”, conta a artista. O projeto chega às plataformas digitais no dia 27 de agosto.
Muito antes de ganhar uma identidade, “PUT@RIA & POE$IA” nasceu como um sopro de liberdade criativa para DAY LIMNS. Suas faixas surgiram de forma espontânea, sem a pressão de construir um álbum ou um projeto amarrado, diferente de seus lançamentos anteriores. A vontade de colaborar, experimentar e de colocar músicas no mundo pura e simplesmente porque são boas foi o grande fio condutor do novo momento da artista.
“Senti a vontade de voltar a colocar o prazer de fazer música em primeiro lugar, ao invés de colocá-la como um exorcista que expurga os demônios num processo sofrido. Quis me permitir criar sem pensar tanto nas regras que um álbum normalmente exige, sem cumprir uma função previamente definida dentro de um conceito”, explica. “A mixtape me permitiu preservar o processo exatamente como ele aconteceu, ela nasceu da liberdade, da mistura e dos encontros.”
As parcerias e exploração de ritmos
Esse processo deu origem ao trabalho mais colaborativo da carreira da cantora goiana até aqui. Ao longo de 10 faixas, ela reúne 11 participações e coloca lado a lado diferentes artistas, linguagens e perspectivas. Entre os convidados estão Gloria Groove, Rael, Slipmami, CJota, Budah, Cynthia Luz, Chris MC, Kafé, Giana Mello, Elana Dara e Luiz Lins.
Os encontros aparecem em diferentes momentos: BUDAH e Kafé participam de “jeans”, Cynthia Luz, de “sexy” e CJota, de “feitiço”. Já Rael vem em “simplesmente…”, enquanto Slipmami surge em “bem-vinda”. Giana Mello participa de “mania”, Gloria Groove, de “1%”, Elana Dara, de “calmaê”, Luiz Lins, de “nada sério” e Chris MC fecha com “dia que te superei”. A produção musical é assinada pelos Los Brasileros — Dan Valbusa, Marcelinho Ferraz e Pedro Dash — que também participam das composições de todo o repertório. Em “simplesmente…”, JOK3R assina a produção ao lado do trio.
Musicalmente, “PUT@RIA & POE$IA” transita entre pop, rap, funk e R&B, sem buscar uma unidade baseada em um único gênero, mas se mantendo dentro do universo do urban. A diversidade de sonoridades reflete as nuances e a capacidade de DAY LIMNS de transitar livremente por diferentes universos, construindo sua identidade artística sem se limitar a espaços engessados e/ou pré-definidos.
A contradição aparece justamente nessa mistura: desejo e vulnerabilidade, humor e profundidade, sensualidade e autonomia, leveza e reflexão convivem ao longo das novas músicas. O projeto reúne diferentes estados emocionais sem precisar escolher entre eles, uma característica que também está presente na maneira como a artista entende sua própria produção.
“Quando percebi, existia um conjunto de faixas que conversavam entre si, além de colaborações muito pesadas. Foi nesse momento que pensei: ‘isso é uma mixtape’. Porque uma mixtape, pra mim, me permite preservar justamente a liberdade com que essas músicas nasceram”, comenta. “Só depois comecei a perceber um fio invisível ligando todas elas.”
O ponto de encontro
A espontaneidade de todo o processo de criação de DAY LIMNS resultou, de forma igualmente natural, em uma narrativa que guia e conecta sutilmente toda a criação. As músicas que nasceram de maneira independente passaram a revelar um ponto de encontro: trocas afetivas atravessadas pela tecnologia, que se transformam em um retrato urbano dos relacionamentos contemporâneos.
“Mesmo falando sobre amor, desejo, liberdade, saudade ou vulnerabilidade, todas retratam relações atravessadas por uma terceira presença constante: a tecnologia. Essa é a camada mais profunda do projeto, ela não é percebida na escuta. Na superfície existem músicas pop, encontros entre artistas e histórias de amor, mas, olhando mais de perto, ele também se torna um retrato das relações contemporâneas”.
Redes sociais, aplicativos, algoritmos, notificações e excesso de informação passam a fazer parte das histórias que contam as faixas. A relação já não acontece apenas entre duas pessoas, mas também entre as imagens, expectativas e projeções construídas a partir das telas. É desse contraste que nasce o título “PUT@RIA & POE$IA”.
Enquanto a “putaria” representa desejo, impulsividade, jogo, química, prazer e liberdade de experimentar, a “poesia” está na vulnerabilidade, na delicadeza e na intimidade. São dois lados que parecem opostos, mas que, para a artista, convivem o tempo inteiro nas relações atuais, hiperconectadas. “Percebi que todas as músicas, escritas em momentos diferentes, estavam falando sobre uma geração que aprende a amar enquanto convive com exposição constante.”
Entre Y2K e o presente
Essa reflexão levou DAY LIMNS ao ponto de partida de toda a noção de amor e relacionamento construída pelas gerações hiperconectadas: a juventude dos anos 2000. Crescer e se formar no início do milênio molda, até hoje, a forma com que as relações são vividas e conduzidas. O uso dos símbolos “@” e “$” ampliam tal ideia ao trazer a linguagem e o imaginário de uma época tão marcante. A referência não aparece apenas como nostalgia, mas como uma maneira de voltar ao período em que a internet começou a ganhar a forma que conhecemos hoje e, consequentemente, a transformar também as histórias de amor.
“A principal referência para a construção da identidade visual é o imaginário dos anos 2000, tipografias pixeladas, símbolos como @ e $. Na estética, as cores rosa e prata representam afeto, desejo, ironia e feminilidade, já o preto traz mistério, sensualidade, profundidade e autonomia. Já na sonoridade, a mistura de pop, rap, funk e R&B reflete a diversidade das relações atuais”.
Visualmente, esse universo é traduzido por uma estética Y2K reinterpretada a partir do presente, com referências urbanas, elementos digitais, jeans largos, couro e tecnologia. A paleta combina rosa, preto e prata: o rosa associado a afeto, desejo, ironia e feminilidade; o preto trazendo mistério, sensualidade, profundidade e autonomia; e o prata aproximando o universo visual da tecnologia e do imaginário futurista dos anos 2000.
Outro elemento central da mixtape é a imagem de um gato preto, arquétipo que acompanha toda a sua construção. Associado ao mistério, à sensualidade, à independência e às projeções que as pessoas fazem sobre ele, o animal representa também a ideia de existir sem precisar corresponder às expectativas alheias.
Para a artista, essa simbologia se relaciona diretamente com a forma como as pessoas são percebidas nas redes. Perfis, fotos, algoritmos e imagens criam versões de cada indivíduo que passam a existir também no imaginário dos outros. O gato preto representa justamente a possibilidade de escapar dessas projeções — curioso, livre, elegante, imprevisível e impossível de controlar completamente.
“PUT@RIA & POE$IA” funciona como um retrato de diferentes formas de amar e se relacionar atualmente. Não existe uma única história entre as faixas, mas uma série de situações que poderiam acontecer simultaneamente: paixão, tesão, recaída, independência, insegurança, saudade, ego, humor, desejo e vulnerabilidade.
“Espero que as pessoas simplesmente se reconheçam. Todo mundo já viveu uma conversa que virou ansiedade, um ‘visualizado’ que virou expectativa, uma recaída, uma paixão intensa demais ou uma relação que terminou antes mesmo de começar. As músicas falam sobre sentimentos muito humanos. Quero que as pessoas dancem, cantem, se apaixonem, sofram, deem risada e se encontrem nessas histórias”, finaliza DAY.