Depois de uma breve passagem pela RCA Victor, onde gravou dois álbuns, Maria Bethânia voltava à PolyGram (hoje Universal Music Brasil) em 1989, com este “Memória da Pele”. Desde o LP anterior, já estava deixando boa parte dos arranjos a cargo do violonista Jaime Alem, que voltava ao batente neste trabalho – que foi o seu primeiro a sair simultaneamente também em CD, inclusive no exterior com o nome de “Memory of the skin” – e passava a ser o seu arranjador mais constante, além de assinar pela primeira vez também a produção de um disco seu. O álbum já está disponível para pré-venda na UMusic Store. Saiba mais AQUI.
Três faixas se destacaram neste álbum. Primeiro, uma que desde então jamais saiu de seu repertório, o samba de roda “Reconvexo”, um tributo ao melhor do povo e da cultura brasileiros assinado pelo mano Caetano Veloso, expurgando os “caretas” insensíveis e reacionários sempre de plantão: “Eu sou a chuva que lança a areia do Saara / Sobre os automóveis de Roma…”. As outras foram dois sucessos de ocasião: “Tenha calma”, de Djavan, incluída na trilha da novela “Tieta”, da TV Globo e a romântica e belíssima faixa-título, de João Bosco e Waly Salomão, que fora popularizada na voz de Bosco, um ano depois, na trilha de outro folhetim, “Pantanal”, da TV Manchete.
As demais novidades eram “Junho”, um maracatu de Alceu Valença, as afro-baianas “Guerra no mar” e “Salve as folhas”, ambas de Gerônimo, sendo a última composta com Ildásio Tavares, com direito à participação vocal da diva soul Sandra de Sá, e uma pérola de Chico Buarque, “A mais bonita” – extraída da peça “Suburbano Coração”, de Naum Alves de Souza, estrelada por Fernanda Montenegro e Otávio Augusto, no Rio de Janeiro, e cujo título foi escolhido para mexer com Tom Jobim, autor da famosa “Bonita”. De autores menos divulgados, Bethânia lançou a romântica “Morena”, do cineasta e compositor André Luiz Oliveira com o advogado e letrista José Carlos Costa Netto, e “Paiol de ouro”, uma ode a Oxum, de seu conterrâneo baiano, o violonista Alexandre Leão, com o poeta capixaba Olival Mattos.
Bethânia regravou ainda um clássico do fado português, “Confesso”, e o clássico samba-canção “Vingança”, de Lupicínio Rodrigues, maior sucesso da eterna Linda Batista, lançado em 1951 – com direito ao piano de Antonio Adolfo. Um repertório de muita classe, como se vê.
Rodrigo Faour
setembro de 2026
Repertório de “Memória da Pele”:
LADO A:
1 – Reconvexo (Caetano Veloso)
2 – Tenha calma (Djavan)
3 – Confesso (Frederico Valério/José Galhardo)
4 – Junho (Alceu Valença/Geraldo Valença)
5 – Morena (André Luiz Oliveira/José Carlos Costa Neto)
LADO B
1 – Salve as folhas (Gerônimo/Ildásio Tavares) – com Sandra de Sá
2 – Memória da pele (João Bosco/Waly Salomão)
3 – A mais bonita (Chico Buarque)
4 – Guerra no mar (Gerônimo)
5 – Vingança (Lupicínio Rodrigues)
6 – Paiol de ouro (vinheta) (Alexandre Leão/Olival Mattos)