Joutro Mundo e Gaspar Muniz apresentam o remix de “Neném”, do trio Lilith

Um remix. Um revival, uma memória musical que chega como uma carta de alguém de longe. E as notícias são as melhores. É essa a sensação de “Neném”, segundo capítulo da releitura do repertório de Lilith assinada por Joutro Mundo e Gaspar Muniz, depois do remix de “Todo Amor É Bom”.

Lançada originalmente em 1993 no maxi-single “Sex Appeal” (Philips), “Neném” foi composta por Lord K, com arranjo e teclados de Alexis e produção de Geo Benjamin, em sessões gravadas no estúdio Geo & Cia, no Rio de Janeiro, e mixadas nos Estúdios da SIGLA. A capa levou a assinatura de Hans Donner. Já naquela época, a faixa flertava com a house music, numa leitura tropical e muito brasileira das pistas do começo dos anos 90.

O trio de cantoras é icônico. Mesmo tendo sido uma “lua-cometa”, sua passagem marcou a cena e deixou um legado artístico e inspirador para as próximas gerações. O grupo Lilith foi formado por Valéria Valenssa, a eterna Globeleza; Cristina Ribeiro, artista e produtora cultural e de moda, que hoje vive nos EUA e é a voz principal desta faixa; e Carla Alexandar, aka Carla Schack, DJ e compositora radicada em Copenhague, que trabalha intensamente com a cultura das pistas de dança e as heranças culturais do sul global.

As vozes e interpretações são a chave desta releitura. Cristina conduz com naturalidade e beleza o fio principal da canção, reforçando a ideia de que diversão e independência dependem do estado de espírito de cada um. Carla e Valéria dão voz a quem sabe o que quer, numa rápida conversa ao telefone, com uma ironia que ajuda a superar culpas e medos: pura vantagem da inteligência emocional feminina.

O duo produtor é brilhante. Jonas Rocha, o Joutro Mundo, é uma das forças da música eletrônica carioca, eleito Melhor DJ do Rio pela revista Época e referência internacional em edits brasileiros e nu-disco. Ao seu lado, Gaspar Muniz, nova-iorquino criado no Rio e fundador do selo Banana Gold e nome do underground de Nova York, traz o peso da house e do groove das pistas americanas.

Juntos, eles transformam “Neném” num disco house brasileiro feito para a pista. O arranjo respira em blocos claros, com pequenos breaks que seguram a energia e devolvem tudo com mais força. A releitura preserva a alma do original de 1993, com sua mistura de house, soul eletrônico e brasilidade, e a atualiza com a pulsação da disco, a ginga carioca e o acabamento das pistas de hoje. Uma ferramenta preciosa para DJs e amantes de disco, house e música brasileira: funciona no warm-up, no auge da noite e nas horas mais quentes do sol. Para quem ama uma festa, funciona a qualquer hora.

É tudo dançante, tudo convidativo. “Neném” é uma faixa que anuncia: é dia de remix, bebê!