
O multivencedor do GRAMMY®, Emmy e Oscar Jon Batiste acaba de anunciar seus próximos três álbuns de estúdio, começando com “Black Mozart (Batiste Piano Series, Vol. 2)“, com lançamento previsto para 19 de junho, pela Decca Records US. Confira os formatos disponíveis para pré-venda na UMusic Store. Saiba mais AQUI.
A data recai intencionalmente no Juneteenth, reforçando o contexto cultural mais profundo do álbum, no qual Batiste reimagina a tradição clássica através de uma perspectiva musical afro-americana. Marcando a segunda edição da série de piano solo de Jon Batiste, que se apresenta no Rock in Rio no dia 7 de setembro, o álbum continua a evidenciar o envolvimento do pianista com compositores transformadores de múltiplas eras, valendo-se de elementos de composição espontânea e improvisação. Considerando um artista que “promove ativamente a normalização da ambidestria musical” (Downbeat), Batiste também anunciou o lançamento dos volumes 3 e 4 da “Batiste Piano Series”, dedicada a Thelonious Monk: “Monk Meditations” e “Monk Movements”, ambos programados para 14 de agosto, pela Verve Records. Segundo Batiste, a intenção com os três álbuns foi “criar uma conversa musical entre Monk e Mozart, comigo ao piano, homenageando-os e contribuindo para seus legados afins“.
Ele continua: “Wolfgang Amadeus Mozart foi um pioneiro que criou sua própria linguagem musical, ao mesmo tempo em que honrou seus predecessores – um mestre da simetria e um refinador de estrutura e forma –, combinando, de maneira fluida, extrema simplicidade melódica e intensa complexidade, desafiando as convenções de sua época, sem perder o apelo universal. Assim como Thelonious Monk – para mim, um exemplo contemporâneo de todas essas mesmas qualidades –, Mozart era um metafísico meticuloso que criou uma combinação especial de domínio lógico que, ainda hoje, desafia qualquer explicação.”
Black Mozart
Nascido em uma longa linhagem de músicos da Louisiana, Jon Batiste se formou como pianista clássico e obteve os graus de bacharel e mestre em piano jazz pela prestigiada The Juilliard School. Como o pianista declarou ao The New York Times em uma reportagem sobre o primeiro álbum da série, “Beethoven Blues” (2024), seu amor por combinar sua própria música com os clássicos remonta à adolescência, quando improvisava sobre Chopin e Bach durante apresentações em Nova Orleans. A conhecida transgressão de definições de gênero por parte de Batiste é fruto dessa “onivoria musical”, mas, mais importante ainda, simplesmente reflete o engajamento alegre do pianista com toda a música, passada e presente, e sua convicção de que o jazz é um portal pelo qual toda canção pode ser compreendida e intercomunicada. O segundo volume da “Batiste Piano Series” volta o olhar para Mozart, um parceiro de alma igualmente alegre e musicalmente onívoro que viveu dois séculos e meio antes.
Batiste disse: “Ele absorveu tudo que veio antes dele e foi o sucessor natural de Johann Sebastian Bach. Ambos eram tecladistas, improvisadores supremos, provedores de melodia em todos os registros e arautos da mão esquerda percussiva. Se Bach foi um alicerce, Mozart foi uma ponte que eventualmente levou à era moderna. … Reimaginei Mozart ‘Black’, imbuindo-o de influências do jazz, do ragtime, do stride, do blues e dos stomps, mas mantendo sua essência central de música clássica moderna.”
Monk Meditations e Monk Movements
O primeiro volume da “Batiste Piano Series”, “Beethoven Blues”, recebeu uma resposta profunda do público e confirmou a crença de Batiste de que a série de piano deveria continuar. Mas a ideia vai além do diálogo com compositores clássicos. A própria reimaginação de Batiste dos modelos clássicos pressupõe laços de afinidade apontando em todas as direções. E, quando pensa em Mozart, o próximo pensamento do pianista frequentemente recai sobre Thelonious Monk. Sobre os volumes 3 e 4 da “Batiste Piano Series”, ele declara: “porque apenas um não era suficiente” – que são dedicados a Monk, não apenas para ilustrar sua visão dele como um paralelo contemporâneo de Mozart, mas para homenagear uma figura colossal que exerceu influência imensurável sobre o próprio Batiste.
Em suas notas de encarte, escritas em linhas rítmicas para musicalizar suas palavras sobre a música, o pianista diz: “Mesmo antes de saber quem ele era, comecei a ter alguns dos mesmos pensamentos musicais que ele tinha. Sobre como capturar o ictus do swing. Sobre a supersíncope e o humor da harmonia. Sobre a rima melódica e o drama. Sobre o piano sendo 88 tambores afinados. … A música de Monk faz meu cérebro e minha alma se sentirem alinhados de uma forma muito especial. Ele é meu pianista favorito de todos os tempos – não só pianista de jazz, mas de qualquer estilo. A forma como ele ouve a harmonia e o som que produz no piano é algo que deveria ser aplicado a todos os estilos de tocar.”
Embora ambos os álbuns sejam inspirados pelo mesmo artista, a complexidade da música de Monk se presta a abordagens muito diferentes, e os dois álbuns de Batiste seguem caminhos distintos: “Monk Meditations” é, provavelmente, o primeiro álbum de meditação new age já inspirado em Thelonious Monk, enquanto “Monk Movements” reimagina suas composições de jazz straight-ahead em longos movimentos virtuosísticos para piano solo, expandindo o cânone das obras para piano solo. Assim como Black Mozart e Beethoven Blues antes dele, o que resplandece é o entusiasmo consistentemente inovador do intérprete, “um talento de uma geração, com paixão por … conectar pessoas por meio de um amor compartilhado pela criação musical” (Classic FM).